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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Fugitivo britânico com perfil no Facebook é capturado




Um prisioneiro britânico foragido que havia criado um perfil no site de relacionamentos Facebook foi capturado na noite desta terça-feira no condado de Kent, na Inglaterra.

A polícia disse que Craig Lynch, de 28 anos, foi indiciado por fuga e comparecerá ao tribunal de Bexleyheath, em Londres.

Ele havia sido condenado inicialmente a uma pena de sete anos de prisão por assalto, e sua sentença estava quase no fim quando ele fugiu da prisão aberta de Hollesley Bay, em Suffolk, em setembro.

Lynch criou então um perfil no Facebook onde deixava mensagens sobre suas atividades para provocar a polícia. Atualmente, o perfil tem mais de 3,4 mil seguidores.

  • Desafio

Em dezembro, ele contou no site que quase bateu o carro por causa da neve que vem caindo no país, que sua casa era tão quentinha que parece o Caribe, e que vinha comendo bifes suculentos.

A polícia lançou então um apelo aos amigos de Lynch no Facebook para que dissessem onde ele estava.

Uma porta-voz da força disse na época que os policiais que lidavam com o caso estavam fazendo análises detalhadas para saber se o homem que eles identificaram na página era mesmo o prisioneiro foragido.

"Nós também estamos usando as informações que temos e qualquer coisa que apareça no site para tentar localizá-lo."

Uma fotografia na página mostrava Lynch olhando para a câmera e levantando um dedo em um aparente gesto de desafio.

Um porta-voz do Facebook disse que os operadores do site estavam cientes da existência da página de Lynch e trabalhavam com a polícia para tentar encontrá-lo.



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Até a proxima edição



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A lição de Londres para Brasília

As reações dos governos britânico e brasileiro no episódio do envio irregular de lixo hospitalar e doméstico ao Brasil, disfarçado de importação de polímeros de etileno para reciclagem, não poderiam ter sido mais ilustrativas da diferença de mentalidade e seriedade dos dirigentes dos dois países.

Colocados diante de problema de interesse público, que pode pôr em risco a saúde da população, no Brasil, a resposta foi basicamente midiática.

Recorrendo mais uma vez à estratégia da "política-espetáculo", o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, protagonizou cenas da mais primária demagogia, deixando-se filmar e fotografar como pinto no lixo, entre os 26 contêineres interceptados pelas autoridades alfandegárias no Porto de Santos.

E, na entrevista coletiva que concedeu depois da "vistoria", sob a luz de holofotes, valeu-se da velha retórica "politicamente correta", classificando a exportação de lixo como "racismo ambiental", acusando os países ricos de converterem os países pobres em "lixeiras" e prometendo criar um grupo de trabalho para investigar "os crimes e o passivo ambiental" que teriam sido causados no Brasil por empresas estrangeiras, nos últimos anos. Por sua vez, o presidente Lula aproveitou o episódio para tentar fazer graça e para posar como estadista, procurando converter um problema policial em questão diplomática.

"Eles (os países ricos), que são tão limpos e querem despoluir tanto, mandam para cá contêineres de lixo dizendo que é para reciclar. Mas quem é que vai reciclar uma camisinha?", disse ele no discurso de abertura da 5ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos, depois de afirmar que pretende convocar uma "discussão mundial" sobre a questão ambiental.

O discurso foi feito no mesmo dia em que o Itamaraty denunciou o governo britânico - que nada tem a ver com a exportação irregular - com base na Convenção de Basileia, que regula o transporte de materiais tóxicos pelo mundo, e pediu providências imediatas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Enquanto isso, com a tradicional discrição britânica, o governo de Londres fazia o que se espera do poder público num caso como esse. Em apenas três dias, as autoridades abriram investigações, descobriram a origem do material exportado, identificaram as empresas responsáveis pela remessa ilegal de lixo para o Brasil, cuja sede fica na cidade de Swindon, na região de Wiltshire, e prenderam três suspeitos que, embora libertados ontem, continuam à disposição da Justiça.
Eles estão sendo interrogados pela Agência de Meio Ambiente e, segundo a chefe da Divisão de Lixo e Administração de Recursos do órgão, Liz Parkes, serão sumariamente denunciados à Justiça criminal britânica caso as investigações comprovem que agiram de maneira dolosa.
Além disso, Liz Parkes afirmou que está aguardando as investigações das autoridades alfandegárias e policiais brasileiras, que estão apenas no começo - embora o governo brasileiro disponha já de dados concretos sobre os empresários responsáveis pela importação irregular -, para autorizar a devolução desses contêineres para a Inglaterra, definir os locais apropriados quando chegarem ao País e tomar as providências para cobrar de todas as empresas britânicas envolvidas na transação o ressarcimento dos gastos com frete, taxas portuárias e custos administrativos. Paralelamente, o Comitê de Meio Ambiente, Alimentos e Questões Agrícolas do Parlamento britânico decidiu reabrir consulta pública sobre as estratégias administrativas e jurídicas a serem adotadas para o tratamento do lixo no País, depois do caso envolvendo o Brasil.
O objetivo é verificar se os mecanismos de controle sobre o destino do lixo vigentes no Reino Unido permanecem adequados e eficientes e se as sanções penais, administrativas e pecuniárias previstas pela legislação ambiental ainda são suficientes para coibir as exportações ilegais.
O governo britânico agiu com rapidez e objetividade, enquanto os dirigentes brasileiros optaram pelo palanque e por uma retórica do mais puro estilo chavista-bolivariano.