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domingo, 21 de novembro de 2010

Novas regras de imigração passam a valer a partir de janeiro.

Em cinco anos, taxa de desemprego no país passou de 3% para 13,5%. Novas regras de imigração passam a valer a partir de janeiro.

O goiano Gustavo Sacipieri, 33, sustenta a família vendendo produtos cobiçados pelos brasileiros que moram na Irlanda: feijão, achocolatado, guaraná, picanha. Todos os dias, ele e sua equipe acordam cedo para carregar item por item nas três vans da empresa criada por ele - a "Brasil na Van" - e saem por uma rota que percorre cidades em todo o todo o país e aproximadamente 860

Desde 2008, quando a Irlanda começou a sentir os efeitos da crise financeira internacional, Gustavo já viu suas vendas caírem 50%. Para manter o negócio, diz ele, usou o que chama de "flexibilidade" de brasileiro: além da entrega de comida, aproveita o trajeto do veículo fazer serviços de transferência bancária, oferecer cupons promocionais e até vender consórcio para carro, a ser contemplado por aqui. Planeja, para breve, vender também consórcios de imóveis.

"Não me importo de me adaptar e até fazer cortes se a situação pede. O irlandês não está acostumado a isso porque não tem a vida que a gente tem aí no Brasil, a instabilidade. Aqui é impressionante o tanto que o governo ajuda os irlandeses", opina o ex-metalúrgico, que chegou com a esposa ao país em 2006 - sem visto e sem falar inglês - para trabalhar como pintor. Hoje tem passaporte italiano e nenhum plano de ir embora. "Para quem já se estabilizou por aqui, ainda vale a pena ficar", diz.

Seus clientes, na maioria, são famílias brasileiras com pouca qualificação profissional que deixaram a terra natal para trabalhar em subempregos tradicionalmente rejeitados pelos irlandeses: dessossadores em frigoríficos, operários de construção civil, realizadores de pequenos serviços. A estimativa do Ministério das Relações Exteriores é de que, em 2009, 15 mil brasileiros estavam na Irlanda. Goiás liderou o movimento: muitos trabalhadores do estado chegaram à ilha nos últimos anos para trabalhar em frigoríficos e na construção civil.

Foi o caso de Waldeir Ferreira dos Santos, 31 anos, que volta definitivamente para Anápolis (GO) neste sábado (20), depois de quase sete anos morando em Ennis. Desde então, ele passou o tempo trabalhando muito e até arrumou uma noiva, também goiana, que volta com ele. O desânimo com o sonho irlandês veio depois que a construtora em que trabalhava faliu, há um ano e meio. Sem emprego fixo, passou a ajudar Gustavo nas entregas.

"Quando eu comecei a trabalhar com ele (na van) eu já estava com plano de ir embora, a firma já tinha acabado, eu já tinha desanimado. Quando eu cheguei era muito bom: faltava mão de obra e tinha trabalho todo dia, nunca faltava oportunidade de receber 60 euros por dia", relembra.


  • Escassez de emprego


Hoje, com a economia irlandesa retraída, a realidade é bem diferente. Apenas em 2010, 1,1 mil empresas fecharam suas portas. Em apenas cinco anos, a taxa de desemprego passou de 3% para 13,5%. Uma em cada três pessoas com menos de 30 anos está desempregada.


Resultado: vagas antes desprezadas por irlandeses passam a ser consideradas alternativas de trabalho - já que a tendência é que a Irlanda corte cada vez mais os benefícios "polpudos" tradicionais no país, como seguro-desemprego, como parte dos cortes fiscais que precisará fazer para sanear a economia.

"Às vezes você está em uma roda entre amigos e encontra um irlandês que está desempregado e você, brasileiro, empregado. Não é legal você abordar esse assunto, fica um clima chato", conta Thiago Silva, que trabalha em Dublin há dois anos como assistente de cozinha.

"Tem duas moças irlandesas que começaram a trabalhar comigo como garçonete e isso é uma coisa diferente. Você começa a ver mais irlandeses nesse tipo de trabalho que não se via antes, em atendimento, loja de roupa, caixa", diz Silva, que já teve redução nas horas de trabalho semanais por conta da queda na demanda.

A partir de janeiro, passam a valer novas regras de imigração: matriculados em cursos de inglês poderão ficar por um limite máximo de três anos. Ficar mais só fazendo cursos de graduação, que são bem menos acessíveis: não custam menos de 20 mil euros por ano.

"Antigamente fazendo curso você podia ficar o tempo que quisesse", diz o publicitário paulista Heitor Bonfim, 27 anos, que faz mestrado em Dublin desde abril deste ano e trabalha 20 horas por semana como chefe de cozinha. "Conheço muita gente que está voltando, não sei se por causa da crise, mas porque as regras da imigração vão apertar", diz.

A desvalorização imobiliária e o excesso de imóveis vazios, decorrentes da crise, tiveram impacto positivo em seu custo de vida. "Eu mudei recentemente para um apartamento bem maior e melhor localizado, pelo preço de um bem pior", diz.


  • Mudança de perfil


Não significa, no entanto, que brasileiros estejam banidos das terras irlandesas. Acabou-se, no entanto, o tempo do subemprego farto.

"Isso afeta muito os brasileiros porque a maioria é informal. É compreensível, porque o país quer ajudar os irlandeses e não as pessoas de fora. Não deixo de dar razão para o próprio irlandês. Tem muito irlandês falido", diz Gustavo, da Brasil na Van.

"Hoje não dá para eu pensar em trazer um parente amigo que não fale inglês e tentar arrumar um emprego. Precisa falar bem e dirigir. No passado, o empresário dirigia 60 km para buscar alguém para trabalhar que não abrisse a boca para falar uma palavra em inglês o ano inteiro", afirma Roberto Camargo da Silva, que lidera comunidade brasileira da Irlanda e paga faculdade para o filho mais velho, que estuda engenharia aeronáutica na Universidade de Limerick.

Para John O'Reilly, irlandês aposentado aficcionado pelo Brasil e que há anos presta serviço voluntário de orientação à comunidade brasileira, o bom momento econômico do Brasil faz com que a Irlanda deseje atrair brasileiros dispostos a gastar dinheiro no país. "Quem veio para cá com intenção de se manter com emprego, sem dinheiro no bolso ou no banco, pode enfrentar dificuldade. Mas o país busca jovens para estudar e fazer graduação aqui, já que agora o Brasil que é rico", diz O'Reilly.



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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus, país do futuro

Entre frustrações e sonhos de prosperidade, 3 milhões de imigrantes brasileiros vão fazendo história

Depois de três décadas de exílio acadêmico em São Paulo, a pernambucana Maria Teresa Sales de Melo Suarez enfim voltou à sua terra natal. Considerada grande especialista do País no tema das migrações internacionais, ela própria fez o caminho de volta para casa - a exemplo dos brasileiros que hoje retornam dos Estados Unidos, Europa e Japão por causa da crise financeira global. No caso de Teresa, a migração foi interna e por saudade mesmo.

Professora aposentada do Nepo, Núcleo de Estudos de População da Unicamp, ela levou na bagagem um doutorado em ciência política na USP e pós-doutorados no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade Harvard para assumir a presidência do Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro, em Recife.

A autora de Brasileiros Longe de Casa (Editora Cortez, 1999), estudo clássico sobre a grande onda migratória nacional para os EUA no final dos anos 80, está em Barcelona, na Espanha, para participar do 3º Encontro da Rede de Brasileiras e Brasileiros no Exterior. A reunião, que conta com a participação de mais de 40 associações de imigrantes do Brasil espalhados por uma dezena de países da Europa, ocorre na mesma semana em que três brasileiros foram presos na cidade, acusados de planejar um assalto a banco.

Foi nesse clima de agitação e festa junina - "em Barcelona o dia de São João é feriado, igualzinho no Nordeste", exultou a professora - que Teresa Sales falou por telefone com o Aliás. Concedida numa quinta-feira, 25 de junho, Dia do Imigrante, a entrevista também coincide com a estreia no País do filme Jean Charles, com o astro Selton Mello no papel do imigrante brasileiro executado pela polícia inglesa no metrô de Londres em 2005, ao ser confundido com um terrorista.

Nessa semana, três brasileiros e um argentino foram presos aí em Barcelona, acusados de planejar um assalto a uma agência bancária. O episódio turva a imagem dos nossos imigrantes?Todos os fatos envolvendo brasileiros com a criminalidade são lamentáveis, pois reforçam estereótipos negativos sobre a imigração. Infelizmente, esse tipo de notícia é ainda a que mais chama a atenção quando se discute o assunto no mundo.

O filme ‘Jean Charles’ também estreou agora e sensibilizou o País. Quando a polícia britânica apresenta como um atenuante de seu ‘erro’ a acusação de que o brasileiro possuía documentos falsos está reforçando esse estereótipo negativo?Evidentemente. É flagrante a tentativa de botar a culpa na vítima. Na verdade o que ocorreu foi uma truculência da polícia, que é motivo de revolta.

E o caso da Paula, a brasileira que simulou ter sofrido um ataque de neonazistas em Zurique?Infelizmente, aquela moça fez um desfavor ao Brasil. Está claro que ela tem problemas mentais, mas o que fez acabou dando argumento para a xenofobia dos países receptores.

Quantos imigrantes brasileiros existem no mundo hoje e em que países estão concentrados?


É um ponto no qual pretendo tocar neste encontro em Barcelona: é uma irresponsabilidade que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) até hoje não tenha uma estimativa precisa. Ninguém sabe ao certo. Está claro que a maior parte vive nos EUA, em segundo na Europa e em terceiro no Japão. De certos mesmo, só temos os números japoneses, porque lá a imigração é totalmente legalizada: são 329.519 brasileiros. Os demais dados do MRE são puro chute: o Paraguai teria pouco mais de 400 mil. EUA, cerca de 1 milhão e 250 mil. Europa, 940 mil.

Ou seja, há quase 3 milhões de brasileiros vivendo no exterior?


Isso. E, se por um lado não temos estimativas, por outro é impressionante como, embora nossa imigração seja recente, esses brasileiros estão muito bem organizados. Na Europa há 86 organizações de brasileiros. Nos EUA, 66. E no Japão, 70, das quais 54 são escolas que, a rigor, não são grupos de mobilização. Na América Latina existem cerca de 30 entidades. Três apenas no Paraguai, que tem um tipo de imigrante específico, rural: os chamados "brasiguaios". Mesmo na Austrália, um país tão distante, existem 6 organizações brasileiras. E em Angola, 3.

O que fazem esses grupos?


O foco do 3º Encontro da Rede de Brasileiras e Brasileiros no Exterior é levantar uma pauta de reivindicações para o governo brasileiro. Em geral, os imigrantes querem fazer valer direitos que a dupla cidadania lhes permite. Por exemplo, ano passado participei de um encontro promovido pelo Itamaraty no Rio de Janeiro e o senador Cristovam Buarque propôs que os brasileiros residentes no exterior possam eleger representação parlamentar (atualmente só é permitido a eles votar para presidente da República). As organizações também pedem uma atuação mais agressiva do governo para evitar as barreiras a sua entrada nesses países - a exemplo do que houve com os dentistas brasileiros em Portugal ou, mais recentemente, com os operários brasileiros na Espanha. E atendimento consular, plano de saúde, escola... A última pauta que vi tinha cinquenta pontos, tanto que na última reunião chamei a atenção do grupo para que se centrasse em três a sete prioridades.

Alguns pesquisadores afirmam que o nível sociocultural do brasileiro que imigra não é baixo, como se imagina. Qual é seu perfil hoje?


Ao contrário. Desde o início da imigração, o fato mais marcante é que o brasileiro que deixa o País é de bom nível e vai fazer trabalhos aquém de sua qualificação. A maioria é composta por profissionais de nível médio ou estudantes: professores de escolas secundárias, bancários, pequenos comerciantes que encaram trabalhos braçais, duros. Em 1995, isso já ficava patente em minhas pesquisas. E gerava problemas: conheci uma terapeuta brasileira que ganhava muito dinheiro só atendendo empregadas domésticas. Elas fundiam a cuca porque tinham sido professoras no Brasil e agora passavam o dia fazendo faxina na casa dos outros. Ainda que ganhassem três vezes mais , sua insatisfação psicológica era evidente.


Ouvi várisos depoimentos assim, como o de um bancário que foi para Boston trabalhar com o que eles chamam de "landscape" - serviços externos, como tirar neve no inverno e cuidar dos jardins no verão. Ele ganhava bem, mas lamentava: "Estava acostumado a trabalhar com a cabeça, não com as mãos".


É um perfil muito diferente do da imigração interna brasileira, do pau-de-arara que ia do Nordeste para São Paulo nos anos 50 - uma mão-de-obra desqualificada, analfabeta. Imigrar para o exterior implica em tirar passaporte, visto, falar língua estrangeira... Exige o mínimo.

Quais foram, historicamente, as principais ondas de imigração brasileira para o exterior?


A principal ocorre em meados dos anos 80 e vai num crescendo até o final da década. Em 1997, fiz uma pesquisa amostral grande, financiada pela Fapesp, em Governador Valadares (MG). Percebemos que a imigração toma vulto em 1985, vai num crescendo e o pico se dá nos anos de 1987, 88 e 89 - que chamei em meu livro Brasileiros Longe de Casa de "triênio da desilusão". Esse foi o período de planos fracassados de combate à inflação e da chamada "década perdida" da nossa economia. Pouca gente se lembra, mas após tomar posse na primeira eleição direta do País depois da ditadura, Fernando Collor de Melo assumiu a presidência fazendo um apelo dramático aos nossos imigrantes: "Voltem, que o País irá se consertar". Alguns voltaram e a decepção foi ainda maior. Então, a onda não se deveu apenas à crise econômica, mas a um sentimento de desesperança no País.

Essa primeira leva vai apenas em direção aos EUA?


Sim. E se espraia nos dois pontos, de origem e de destino. Deixa de ser predominantemente mineira, oriunda da região do Vale do Rio Doce, para afluir de todo o País. E os imigrantes chegam primeiro a Nova York, depois para Massachussetts e Flórida. Hoje, há brasileiros em praticamente todos os Estados americanos.

Como esses primeiros imigrantes eram vistos nos EUA?


Fiz um estudo detalhado sobre isso, comparando a cobertura da imigração brasileira na imprensa dos EUA e do Brasil. Curiosamente, em nosso país, em meados dos anos 80, dois terços das notícias sobre o assunto eram negativas: sobre um brasileiro que era preso, outro que falsificava papéis, o que sofria discriminação, etc. Na imprensa americana, ao contrário, o tom geral era claramente favorável. Havia um estereótipo positivo nos EUA que dizia "brasileiro, povo trabalhador". Hoje, houve alguma mudança nessa imagem, embora as notícias positivas continuem. Já na Europa, embora também haja alguma simpatia, há um claro viés preconceituoso, por exemplo, quando a imprensa se refere às mulheres imigrantes, frequentemente associadas à prostituição.

Mas foi a partir de quando que os brasileiros passaram a escolher também a Europa como destino?


Já nos anos 90, pouco depois da onda americana. Concentraram-se inicialmente em Portugal, depois Espanha e Inglaterra. Alemanha, em menor número. Concomitantemente, vem o Japão, com aquelas características diferenciadas: uma imigração induzida pelo governo para se livrar dos trabalhadores ilegais oriundos da China, da Coreia e outros países asiáticos. O Japão talvez seja o país mais xenófobo de todos.

Como assim, se a senhora acaba de dizer que a política de imigração japonesa é totalmente legalizada?


É legalizada, mas só para os descendentes de sangue, os dekasseguis. É por isso que o Japão busca imigrantes no Peru e no Brasil, entre filhos e netos de japoneses. Em seguida, a campeã da xenofobia é a Europa, com pequenas diferenças de um país para outro. Portugal talvez seja ainda o mais flexível, por conta das relações históricas de amizade conosco e os muitos acordos bilaterais que existem. Já os EUA, vale dizer, estão entre os mais tolerantes, mesmo com todos os problemas que aconteceram recentemente. A literatura sobre imigração aponta três países como mais receptivos aos imigrantes: os EUA, o Canadá e a Austrália.

Momentos de crise, como o atual, acirram a xenofobia.


Os governos, em regra, vivem em uma corda bamba. De um lado, a demanda de mão-de-obra por parte das empresas, que dão preferência à mão-de-obra imigrante por ser mais vulnerável e barata. De outro, a sociedade, que tende a ter uma posição de intolerância com os imigrantes que vêm trazendo costumes, "invadindo" os vagões de metrô com suas cores e etnias diferentes.

A crise financeira já afetou os fluxos migratórios?


Tem havido iniciativas da parte dos países receptores no sentido de desestimular a imigração e a estimular o retorno aos países de origem. Elas, no entanto, só funcionam para os imigrantes que chegaram recentemente, não para os mais antigos - que já se estabeleceram, têm filhos na escola e criaram vínculos duradouros com o país receptor. Aqui na Espanha, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), tem financiado viagens de retorno, supostamente por razões humanitárias. Na verdade, essas políticas advêm da sensibilidade do governo diante da pressão dos trabalhadores espanhóis. Quando a situação está bem, eles não querem ocupar postos de trabalho ruins e os deixam para os imigrantes. Quando piora, querem esses postos de volta.

E o Brasil, é um país que recebe bem os imigrantes estrangeiros?


Não. O Brasil não é muito diferente desses outros, infelizmente. Tem leis restritivas e, em termos de regulamentação do trabalho, mais duras que as dos EUA. Talvez nossa sociedade tenha uma tolerância maior do que a europeia, pois o brasileiro é acostumado a lidar com o estrangeiro de maneira cordial. Mas na hora do vamos ver, do emprego, a legislação brasileira não o acolhe.

O presidente Lula esteve em Genebra e anunciou na Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma anistia a todos os imigrantes ilegais que vivem no Brasil, que deve ser sancionada dia 6 de julho. É uma mudança de direção?É uma iniciativa, mas vamos ver a implementação. Porque essa nova imigração que o Brasil tem recebido é diversa daquela do pós-guerra. É uma imigração de pobres - bolivianos, coreanos e africanos - e, no contexto atual, considerada "difícil de assimilar". Se bem que não se pode dizer que o fluxo de italianos para o Brasil na passagem do século 19 para o 20 fosse de ricos. E a Itália não é menos Itália hoje por ter imigrado em massa para a América. Ao contrário: formou uma população importante fora do país que, em sua segunda geração, se afirma positivamente.

O que o Brasil tem feito de fato por seus cidadãos que vivem no exterior e o que é preciso melhorar?


Apesar das falhas que mencionei, temos de reconhecer que o MRE tem tido uma atuação positiva que vem lá de trás, desde a época em que Fernando Henrique foi ministro das Relações Exteriores até a gestão de Celso Amorim. Antes de FHC e de Lula, o corpo diplomático brasileiro estava voltado quase que exclusivamente às questões comerciais e de relacionamento com outros países. Transformar isso numa estrutura voltada também ao apoio consular ao imigrante foi uma evolução. Apesar desses esforços, ainda existe muito preconceito contra o imigrante brasileiro no próprio Brasil.

Quer dizer que o brasileiro não vê com bons olhos o conterrâneo que opta por viver lá fora?


Nós ainda vemos o imigrante como um perdedor, um covarde que abandonou o País. Essa imagem tem que mudar. O Brasil se afirma lá fora através de seus imigrantes. Por enquanto, eles podem estar se dedicando ao trabalho braçal, mas vem aí uma segunda geração. E a maior parte dos países que admiramos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Itália, teve imigrantes que saíram para fazer a América, trabalhando pesado. Hoje, elogiamos a tradição alemã no sul do Brasil como uma história de sucesso, esquecendo de que no começo foi brabo.


É preciso ter perspectiva histórica para não desprezar os brasileiros que saíram do País. Eles também fizeram uma opção de coragem.


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domingo, 30 de agosto de 2009

Perdeu o Passaporte?


Perda do Passaporte

Dentre os maiores problemas que algum brasileiro pode enfrentar no exterior, talvez o mais chato seja ou o roubo do passaporte .




O passaporte é o único documento que realmente é aceito como identificação do cidadão fora do país de origem. Embora todo mundo pense que isso nunca vai acontecer, perda de passaporte é algo que acontece com mais freqüência do que se imagina.

O primeiro passo em caso de se ter o passaporte roubado é fazer um registro na delegacia de polícia mais perto do local em que o assalto aconteceu. O Consulado Brasileiro também precisa ser informado o mais rápido possível, o que pode ser feito por telefone mesmo. Num primeiro momento, os funcionários vão anotar seus dados e pedir para você, se puder, esperar antes de fazer um passaporte novo. É que, em muitos casos, os documentos roubados são recuperados pela polícia ou encontrados na rua, e acabam sendo direcionados para o Consulado.


Novo passaporte

Os documentos exigidos para tirar um novo passaporte, em caso de perda, roubo ou extravio são: um boletim de ocorrência emitido pela Polícia local; carteira de identidade ou outro documento emitido por Órgão Público que comprove sua nacionalidade brasileira; três fotos em preto e branco ou em cores datadas. Para brasileiros do sexo masculino, entre 18 e 45 anos de idade, é exigida ainda a apresentação do documento militar. No caso de não residentes no exterior, são solicitados título de eleitor e comprovante de voto ou justificativa na última eleição. Pagamento de £48.


Você tem que fazer a soliciatação pessoalmente, lá mesmo no Consulado, preencher e assinar alguns formulários, que também podem ser impressos da internet, caso você decida chegar com a papelada toda pronta. O prazo de entrega é de dez dias úteis. Se você não é de Londres e não pode voltar para buscar o passaporte pronto, é possível deixar um envelope registrado já selado e endereçado para que o Consulado coloque no correio para você receber onde quiser, aqui no Reino Unido. No entanto, se você pretende viajar para o Brasil em breve, não é preciso tirar um novo passaporte, pois o próprio Consulado oferece um documento de Autorização de Retorno ao Brasil (ARB) que deve ser apresentado no aeroporto e que permite o seu embarque sem o passaporte.

Documentação extra:

Alguns documentos a mais podem ajudar na hora de solicitar um novo passaporte. Por exemplo, se você tiver a cópia do passaporte que perdeu, leve ao Consulado com o restante da documentação obrigatória.

As páginas 1 (a que tem o número do passaporte), 2 (a que tem os seus dados) e 3 (a que tem a sua foto) são fundamentais para que o Consulado coloque no seu passaporte novo os dados daquele que foi extraviado.

Leve todos os documentos que você tiver. Se não tiver nada aqui, peça para alguém no Brasil tirar uma cópia autenticada da sua documentação e mandar direto para o fax do Consulado. Na falta dos originais, ele podem aceitar a cópia autenticada.

Se você tiver o registro da polícia (o documento que tem a sua foto e os dados do seu visto, feito pelo Overseas Visitors Records Office), leve também. O Consulado sempre pede um documento original que tenha sua foto para poder se certificar que você é você mesmo.

Fotos


As três fotos para um novo passaporte deverão ser em preto e branco ou em cores, tamanho de 5 x 7 cm (2 x 3 polegadas), iguais, de frente, com fundo claro e com data na frente, com menos de seis meses. Não são aceitas fotos feitas por computador.

Os locais mais conhecidos e próximos do Consulado que oferecem essa especificação são:
Passport Photo Service (na frente da Selfridges) 449 Oxford Street London W1C 2PS (020) 7629-8540
Anand Photos (dentro da estação de metrô Piccadilly Circus) Unit 3, Saída 4 (020) 7287-9114

Cuidados:

Faça anotações do número de seu passaporte, bem como dos detalhes do visto. Tire ainda cópias das páginas mais importantes e deixe-as guardadas em lugares diferentes. Se você tiver acesso a scanner, faça uma cópia da página com o carimbo do visto e guarde a figura no seu e-mail. Não ande com seu passaporte. Lembre-se que, no Reino Unido, não precisamos andar com documento de identidade. Você pode colocar uma fotocópia na bolsa e deixar o documento original em casa, guardado em lugar seguro. Se for para entrar em disco ou comprar bebida alcóolica, a carteirinha de estudande já e suficiente para atestar que você é maior de idade!

Consulado-Geral do Brasil em Londres

6 St Alban's Street London
SW1Y 4SQ T : 020 7930 9055
(central telefônica) F : 020 7925 3990
passaportes@cgbrasil.org.uk
Metrô: Piccadilly Circus (linhas Piccadilly e Bakerloo)


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sábado, 11 de julho de 2009

Perdeu o Passaporte?


Perda do Passaporte

Dentre os maiores problemas que algum brasileiro pode enfrentar no exterior, talvez o mais chato seja ou o roubo do passaporte .



O passaporte é o único documento que realmente é aceito como identificação do cidadão fora do país de origem. Embora todo mundo pense que isso nunca vai acontecer, perda de passaporte é algo que acontece com mais freqüência do que se imagina.



O primeiro passo em caso de se ter o passaporte roubado é fazer um registro na delegacia de polícia mais perto do local em que o assalto aconteceu. O Consulado Brasileiro também precisa ser informado o mais rápido possível, o que pode ser feito por telefone mesmo. Num primeiro momento, os funcionários vão anotar seus dados e pedir para você, se puder, esperar antes de fazer um passaporte novo. É que, em muitos casos, os documentos roubados são recuperados pela polícia ou encontrados na rua, e acabam sendo direcionados para o Consulado.



Novo passaporte



Os documentos exigidos para tirar um novo passaporte, em caso de perda, roubo ou extravio são: um boletim de ocorrência emitido pela Polícia local; carteira de identidade ou outro documento emitido por Órgão Público que comprove sua nacionalidade brasileira; três fotos em preto e branco ou em cores datadas. Para brasileiros do sexo masculino, entre 18 e 45 anos de idade, é exigida ainda a apresentação do documento militar. No caso de não residentes no exterior, são solicitados título de eleitor e comprovante de voto ou justificativa na última eleição. Pagamento de £48.



Você tem que fazer a soliciatação pessoalmente, lá mesmo no Consulado, preencher e assinar alguns formulários, que também podem ser impressos da internet, caso você decida chegar com a papelada toda pronta. O prazo de entrega é de dez dias úteis. Se você não é de Londres e não pode voltar para buscar o passaporte pronto, é possível deixar um envelope registrado já selado e endereçado para que o Consulado coloque no correio para você receber onde quiser, aqui no Reino Unido. No entanto, se você pretende viajar para o Brasil em breve, não é preciso tirar um novo passaporte, pois o próprio Consulado oferece um documento de Autorização de Retorno ao Brasil (ARB) que deve ser apresentado no aeroporto e que permite o seu embarque sem o passaporte.



Documentação extra:



Alguns documentos a mais podem ajudar na hora de solicitar um novo passaporte. Por exemplo, se você tiver a cópia do passaporte que perdeu, leve ao Consulado com o restante da documentação obrigatória.



As páginas 1 (a que tem o número do passaporte), 2 (a que tem os seus dados) e 3 (a que tem a sua foto) são fundamentais para que o Consulado coloque no seu passaporte novo os dados daquele que foi extraviado.



Leve todos os documentos que você tiver. Se não tiver nada aqui, peça para alguém no Brasil tirar uma cópia autenticada da sua documentação e mandar direto para o fax do Consulado. Na falta dos originais, ele podem aceitar a cópia autenticada.



Se você tiver o registro da polícia (o documento que tem a sua foto e os dados do seu visto, feito pelo Overseas Visitors Records Office), leve também. O Consulado sempre pede um documento original que tenha sua foto para poder se certificar que você é você mesmo.



Fotos
As três fotos para um novo passaporte deverão ser em preto e branco ou em cores, tamanho de 5 x 7 cm (2 x 3 polegadas), iguais, de frente, com fundo claro e com data na frente, com menos de seis meses. Não são aceitas fotos feitas por computador.



Os locais mais conhecidos e próximos do Consulado que oferecem essa especificação são:
Passport Photo Service (na frente da Selfridges) 449 Oxford Street London W1C 2PS (020) 7629-8540
Anand Photos (dentro da estação de metrô Piccadilly Circus) Unit 3, Saída 4 (020) 7287-9114


Cuidados:



Faça anotações do número de seu passaporte, bem como dos detalhes do visto. Tire ainda cópias das páginas mais importantes e deixe-as guardadas em lugares diferentes. Se você tiver acesso a scanner, faça uma cópia da página com o carimbo do visto e guarde a figura no seu e-mail. Não ande com seu passaporte. Lembre-se que, no Reino Unido, não precisamos andar com documento de identidade. Você pode colocar uma fotocópia na bolsa e deixar o documento original em casa, guardado em lugar seguro. Se for para entrar em disco ou comprar bebida alcóolica, a carteirinha de estudande já e suficiente para atestar que você é maior de idade!

Consulado-Geral do Brasil em Londres

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