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segunda-feira, 26 de março de 2012

A importância da Cidadania Européia

fasano.org.uk 
Cada vez mais a Europa tem dificultado a entrada dos cidadãos dos países terceiros. Isto significa que estes países querem reduzir o número de imigrantes que diariamente estão chegando nos seus aeroportos.

Todo cidadão que tem direito a adquirir uma cidadania dos países da Europa, não pode deixar de fazer o seu pedido.

A cidadania pode ser adquirida por ascendência, pelo casamento e em alguns países por adoção. E este direito deve ser tratado como uma excelente alternativa para os cidadãos que vivem nos países da União Européia ou que pretendam vir a residir nestes países.

Caso você tenha direito, não deixe de usufruir deste benefício, mas atenção: não tente ir pelo caminho mais fácil, como por exemplo, casamentos por conveniência, ou adquirir documentos falsos para comprovar parentesco, pois isto é um crime gravíssimo.

Muitos destes casos já foram descobertos e os envolvidos serão punidos por crime de falsificação de documentos.

Além disso, esta situação também tem causado uma imagem muito negativa dos brasileiros e de outros imigrantes, que ao envolverem-se nestes tipos de fraude, acabam por denegrir a seriedade das demais pessoas e processos que estão a espera.

Por isso, tente descobrir a sua história familiar, seus antepassados, para saber quais as possibilidades de adquirir a sua cidadania européia, pois quando você a adquire é comparado a um cidadão nacional se for viver no país de origem da sua família ou um cidadão europeu dentro da União Européia, caso opte por viver em outro país da sua nova nacionalidade.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

França emite aviso sobre alto risco de atentado terrorista no Reino Unido




Europa vive tensão desde o meio de setembro, quando governos alertaram para aumento de ameaça


PARIS - O Ministério de Exteriores da França emitiu nesta quarta-feira, 6, um aviso para turistas sobre o alto risco de ocorrerem atentados terroristas no Reino Unido.

A mensagem, publicada no site do Ministério, informa que as autoridades britânicas acreditam que "o risco de um ataque é bastante alto" e recomenda que os cidadãos franceses que planejam ou vão viajar para o território britânico tenham "extrema atenção com o transporte público e com locais turísticos de grande circulação de pessoas".

A França e outros países europeus elevaram seus alertas de ataques terroristas em meio ao que foi descrito como um aumento do risco de atentados.

Nesta semana, o Ministério de Exteriores do Reino Unido emitiu um alerta parecido para quem fosse viajar para a França e para a Alemanha. O Departamento de Estado dos EUA avisou os americanos que vivem na Europa ou viajarão para o continente que tomem maiores precauções com sua segurança pessoal.

No fim de setembro, a Alemanha anunciou que a organização terrorista Al-Qaeda plenajava ataques terroristas simultâneos em Paris, Londres e Berlim. O plano seria real e estaria ativo, mas sua execução não seria iminente.

A advertência foi feita após a revelação de que extremistas pretendiam voltar a atacar a Europa e os EUA, em uma estratégia semelhante à adotada na Índia em novembro de 2008. A fonte da informação sobre o plano terrorista seria o alemão Ahmed Siddiqui, 36 anos, um extremista do Movimento Islâmico do Usbequistão (MIU) preso em Cabul, no Afeganistão, e hoje detido na Base de Bagram, controlada pelos EUA.



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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Voce sabe o que quer dizer: "Big Society" que o primeiro ministro fala.



Plano de 'grande sociedade' dará poder ao povo, diz Cameron

Programa de governo junta propostas convergentes dos Conservadores e dos Liberias Democratas

A nova coalizão entre Conservadores e Liberais Democratas revelou nesta terça-feira um programa de "grande sociedade" que tem como intenção "tirar poder dos políticos e dá-lo ao povo".

Segundo o jornal britânico The Guardian, o documento de três páginas estabelecendo novas políticas acordadas pelos dois partidos é construída sobre o acordo de coalizão entre David Cameron e Nick Clegg e foi descrito como o primeiro pedaço de um "programa de governo compreensivo" publicado até agora.

Os planos incluem a introdução de um programa nacional de serviço civil para pessoas com 16 anos de idade, reformas no sistema de planejamento para dar à comunidade mais controle sobre seu desenvolvimento, permitir que funcionários do setor público formem cooperativas e dar ao público acesso a arquivos do governo.

Cameron falou sobre a "grande sociedade" durante sua campanha eleitoral e está fortemente comprometido com a ideia de que cidadãos devam ter mais poderes, mesmo que alguns Conservadores sentirem que o tema não era do interesse dos eleitores.

Mas essa é uma das áreas onde as crenças de Cameron coincidem com a filosofia dos Liberais Democratas, e parece ter sido relativamente fácil para os dois partidos concordarem em um programa conjunto nesta área.

Nick Hurd, o líder dos Conservadores e no ministro para Sociedade Civil, será encarregado de tocar a agenda. Ele será assistido por Nat Wai, o fundador do programa de graduação de ensino, Teach First, que trabalhará como conselheiro do governo na "grande sociedade".

Ao anunciar o programa em um evento em Downing Street, Cameron disse: "Durante a campanha eleitoral eu estendi um convite a todos nesse país para se juntar ao governo britânico. Eu disse que a ideia de uma grande sociedade marcharia pelos corredores do poder - e está acontecendo agora. Hoje é o começo de uma profunda e séria reforma que tiraria poder dos políticos e daria às pessoas."

"Isto porque sabemos instintivamente que o Estado não é por vezes muito humano, é monolítico e ineficiente para combater nossos problemas sociais mais graves. Nós sabemos que as melhores ideias vêm de baixo para cima, e não o contrário."

Sabemos que quando você dá às pessoas e às comunidades mais poder sobre suas vidas, mais poder para se juntar e trabalhar juntas para tornar a vida melhor - grandes coisas acontecem", disse Cameron.

Clegg, o vice primeiro-ministro, disse: "Nós precisamos de mudanças radicais que coloquem o poder de volta nas mãos das pessoas. Somente derrubando interesses pessoais e dando real poder à população de controlar suas vidas é que conseguiremos construir um Reino Unido justo".

Para encorajar o trabalho voluntário, o governo irá lançar um "dia da grande sociedade" nacional. É esperado também o envolvimento de alguns trabalhadores civis no trabalho comunitário, com o envolvimento comunitário se tornando "um elemento chave da máquina do serviço civil".

Outras políticas no programa envolvem:

• A criação de uma nova geração de organizadores comunitários

• A fundação de grupos de bairros através de um Banco da Grande Sociedade, usando dinheiro de contas bancárias dormentes

• Forçar a polícia a publicar detalhes e estatísticas sobre crimes locais

• Revisão das finanças dos governos locais, e dar aos conselhos competência no poder

Nos próximos dias a coalizão irá publicar programas de políticas que cubram outras áreas. Juntos, irão formar a agenda principal do novo governo.


segunda-feira, 22 de março de 2010

União Europeia e Brasil negociam a isenção total de vistos



Os ministros de Exteriores da União Europeia (UE) avaliaram, durante a reunião do Conselho, em Bruxelas, o andamento das negociações de um acordo que deve eliminar a exigência de visto de entrada com o Brasil, com o objetivo de fechar o pacto em breve.

Atualmente, desde que seja por um período curto, os habitantes dos países europeus entram no Brasil sem visto, mas o benefício não é válido para todas as nações. Cidadãos da Letônia, Chipre, Malta e Estônia precisam de visto, informou o Conselho da UE em comunicado.

Segundo fontes comunitárias, o bloco europeu e o governo brasileiro trabalham na tentativa firmar um acordo de reciprocidade total para a cúpula UE-Brasil, que poderá ser celebrado em 6 de outubro, em Estocolmo

O diretor-geral adjunto de Relações Exteriores da Comissão, Stefano Sannino, disse na semana passada que a UE espera chegar à reunião com a possibilidade de assinar finalmente o acordo, para que o regime aplicado a maior parte dos países europeus seja estendido aos que ainda têm restrições.

Até 2004, havia uma reciprocidade total entre Brasil e a UE, já que nenhum exigia visto para a entrada em seus respectivos territórios. No entanto, após a adesão de dez nações à UE, neste ano, e de outros dois em 2007, os cidadãos desses novos membros estão sujeitos à exigência de vistos em caso de ingresso no Brasil, enquanto os brasileiros seguem tendo isenção para toda a UE em viagens de curta duração.

Outro assunto abordado pelos ministros diz respeito à imposição de visto por parte do Canadá aos cidadãos da República Tcheca, uma decisão adotada em julho para frear os pedidos de asilo recebidos de cidadãos tchecos. Medida idêntica também foi adotada com relação ao México, pelo mesmo motivo.

O Conselho encorajou à Comissão Europeia (CE) a seguir buscando uma solução com as autoridades canadenses, com o objetivo de restaurar as viagens sem visto aos tchecos o mais breve possível, já que os canadenses têm acesso liberado a qualquer país da UE.



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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Europeus reagem a trabalhador estrangeiro



Greves e protestos desafiam livre circulação de mão de obra na UE

Recessão na Europa faz explodir uma tensão latente entre trabalhadores locais e milhões de imigrantes que nos últimos anos chegaram ao continente. Ontem, trabalhadores de uma usina nuclear na Inglaterra decidiram fechar a instalação em uma greve contra a decisão de uma empresa de dar postos de trabalho para italianos e portugueses. Nas obras para preparar Londres para as Olimpíadas 2012, dezenas de romenos foram demitidos para dar lugar a ingleses.

Com desemprego batendo taxas recordes, vários partidos de oposição e de extrema direta já questionam governos sobre a abertura de suas fronteiras e um dos pilares da construção da UE: a livre circulação de trabalhadores. Em Bruxelas, a ordem é evitar o protecionismo.

Na Itália, membros do governo já indicaram a necessidade de rever as cotas para a imigração, em uma medida explicitamente protecionista. Na Suíça, o Parlamento aprovou uma lei endurecendo os controles sobre imigrantes e, no Parlamento Europeu, uma lei será aprovada nesta semana criando duras penas contra empregadores que derem trabalho para pessoas sem visto.

Mas é no Reino Unido que a tensão se transformou em uma crise política. Trabalhadores de uma refinaria da Total iniciaram uma greve diante da decisão da empresa de dar 200 postos de trabalho a estrangeiros, com salários mais baixos.

O protesto se espalhou e já envolve várias regiões e centenas de trabalhadores. Ontem quase mil empregados da usina nuclear de Sellafield, no Oeste da Inglaterra, optaram por interromper o trabalho por 24 horas.

Na Inglaterra, o desemprego atingiu neste mês sua maior taxa em 11 anos, com 2 milhões de desempregados. Ontem, o ministro de Indústrias do Reino Unido, Peter Mandelson, criticou propostas de que barreiras formais aos estrangeiros devessem ser criadas.

Segundo ele, 300 mil empresas britânicas dependem de estrangeiros e as abertura das fronteiras é uma condição para a existência da UE. Mas, na surdina, o governo demitiu cerca de 200 romenos que trabalhavam ilegalmente nas obras para preparar Londres para os Jogos Olímpicos de 2012.

Em Londres, o governo endurece a política antiimigração. Mas os protestos em relação aos imigrantes se proliferaram. Na sede da Total, em Paris, cerca de 600 pessoas fizeram um protesto.

Na Suécia e Finlândia, casos já chegaram às Cortes Supremas.Empregados questionavam a autorização de empresas para contratar trabalhadores do Leste Europeu por salários mais baixos. A corte autorizou.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus, país do futuro

Entre frustrações e sonhos de prosperidade, 3 milhões de imigrantes brasileiros vão fazendo história

Depois de três décadas de exílio acadêmico em São Paulo, a pernambucana Maria Teresa Sales de Melo Suarez enfim voltou à sua terra natal. Considerada grande especialista do País no tema das migrações internacionais, ela própria fez o caminho de volta para casa - a exemplo dos brasileiros que hoje retornam dos Estados Unidos, Europa e Japão por causa da crise financeira global. No caso de Teresa, a migração foi interna e por saudade mesmo.

Professora aposentada do Nepo, Núcleo de Estudos de População da Unicamp, ela levou na bagagem um doutorado em ciência política na USP e pós-doutorados no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade Harvard para assumir a presidência do Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro, em Recife.

A autora de Brasileiros Longe de Casa (Editora Cortez, 1999), estudo clássico sobre a grande onda migratória nacional para os EUA no final dos anos 80, está em Barcelona, na Espanha, para participar do 3º Encontro da Rede de Brasileiras e Brasileiros no Exterior. A reunião, que conta com a participação de mais de 40 associações de imigrantes do Brasil espalhados por uma dezena de países da Europa, ocorre na mesma semana em que três brasileiros foram presos na cidade, acusados de planejar um assalto a banco.

Foi nesse clima de agitação e festa junina - "em Barcelona o dia de São João é feriado, igualzinho no Nordeste", exultou a professora - que Teresa Sales falou por telefone com o Aliás. Concedida numa quinta-feira, 25 de junho, Dia do Imigrante, a entrevista também coincide com a estreia no País do filme Jean Charles, com o astro Selton Mello no papel do imigrante brasileiro executado pela polícia inglesa no metrô de Londres em 2005, ao ser confundido com um terrorista.

Nessa semana, três brasileiros e um argentino foram presos aí em Barcelona, acusados de planejar um assalto a uma agência bancária. O episódio turva a imagem dos nossos imigrantes?Todos os fatos envolvendo brasileiros com a criminalidade são lamentáveis, pois reforçam estereótipos negativos sobre a imigração. Infelizmente, esse tipo de notícia é ainda a que mais chama a atenção quando se discute o assunto no mundo.

O filme ‘Jean Charles’ também estreou agora e sensibilizou o País. Quando a polícia britânica apresenta como um atenuante de seu ‘erro’ a acusação de que o brasileiro possuía documentos falsos está reforçando esse estereótipo negativo?Evidentemente. É flagrante a tentativa de botar a culpa na vítima. Na verdade o que ocorreu foi uma truculência da polícia, que é motivo de revolta.

E o caso da Paula, a brasileira que simulou ter sofrido um ataque de neonazistas em Zurique?Infelizmente, aquela moça fez um desfavor ao Brasil. Está claro que ela tem problemas mentais, mas o que fez acabou dando argumento para a xenofobia dos países receptores.

Quantos imigrantes brasileiros existem no mundo hoje e em que países estão concentrados?


É um ponto no qual pretendo tocar neste encontro em Barcelona: é uma irresponsabilidade que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) até hoje não tenha uma estimativa precisa. Ninguém sabe ao certo. Está claro que a maior parte vive nos EUA, em segundo na Europa e em terceiro no Japão. De certos mesmo, só temos os números japoneses, porque lá a imigração é totalmente legalizada: são 329.519 brasileiros. Os demais dados do MRE são puro chute: o Paraguai teria pouco mais de 400 mil. EUA, cerca de 1 milhão e 250 mil. Europa, 940 mil.

Ou seja, há quase 3 milhões de brasileiros vivendo no exterior?


Isso. E, se por um lado não temos estimativas, por outro é impressionante como, embora nossa imigração seja recente, esses brasileiros estão muito bem organizados. Na Europa há 86 organizações de brasileiros. Nos EUA, 66. E no Japão, 70, das quais 54 são escolas que, a rigor, não são grupos de mobilização. Na América Latina existem cerca de 30 entidades. Três apenas no Paraguai, que tem um tipo de imigrante específico, rural: os chamados "brasiguaios". Mesmo na Austrália, um país tão distante, existem 6 organizações brasileiras. E em Angola, 3.

O que fazem esses grupos?


O foco do 3º Encontro da Rede de Brasileiras e Brasileiros no Exterior é levantar uma pauta de reivindicações para o governo brasileiro. Em geral, os imigrantes querem fazer valer direitos que a dupla cidadania lhes permite. Por exemplo, ano passado participei de um encontro promovido pelo Itamaraty no Rio de Janeiro e o senador Cristovam Buarque propôs que os brasileiros residentes no exterior possam eleger representação parlamentar (atualmente só é permitido a eles votar para presidente da República). As organizações também pedem uma atuação mais agressiva do governo para evitar as barreiras a sua entrada nesses países - a exemplo do que houve com os dentistas brasileiros em Portugal ou, mais recentemente, com os operários brasileiros na Espanha. E atendimento consular, plano de saúde, escola... A última pauta que vi tinha cinquenta pontos, tanto que na última reunião chamei a atenção do grupo para que se centrasse em três a sete prioridades.

Alguns pesquisadores afirmam que o nível sociocultural do brasileiro que imigra não é baixo, como se imagina. Qual é seu perfil hoje?


Ao contrário. Desde o início da imigração, o fato mais marcante é que o brasileiro que deixa o País é de bom nível e vai fazer trabalhos aquém de sua qualificação. A maioria é composta por profissionais de nível médio ou estudantes: professores de escolas secundárias, bancários, pequenos comerciantes que encaram trabalhos braçais, duros. Em 1995, isso já ficava patente em minhas pesquisas. E gerava problemas: conheci uma terapeuta brasileira que ganhava muito dinheiro só atendendo empregadas domésticas. Elas fundiam a cuca porque tinham sido professoras no Brasil e agora passavam o dia fazendo faxina na casa dos outros. Ainda que ganhassem três vezes mais , sua insatisfação psicológica era evidente.


Ouvi várisos depoimentos assim, como o de um bancário que foi para Boston trabalhar com o que eles chamam de "landscape" - serviços externos, como tirar neve no inverno e cuidar dos jardins no verão. Ele ganhava bem, mas lamentava: "Estava acostumado a trabalhar com a cabeça, não com as mãos".


É um perfil muito diferente do da imigração interna brasileira, do pau-de-arara que ia do Nordeste para São Paulo nos anos 50 - uma mão-de-obra desqualificada, analfabeta. Imigrar para o exterior implica em tirar passaporte, visto, falar língua estrangeira... Exige o mínimo.

Quais foram, historicamente, as principais ondas de imigração brasileira para o exterior?


A principal ocorre em meados dos anos 80 e vai num crescendo até o final da década. Em 1997, fiz uma pesquisa amostral grande, financiada pela Fapesp, em Governador Valadares (MG). Percebemos que a imigração toma vulto em 1985, vai num crescendo e o pico se dá nos anos de 1987, 88 e 89 - que chamei em meu livro Brasileiros Longe de Casa de "triênio da desilusão". Esse foi o período de planos fracassados de combate à inflação e da chamada "década perdida" da nossa economia. Pouca gente se lembra, mas após tomar posse na primeira eleição direta do País depois da ditadura, Fernando Collor de Melo assumiu a presidência fazendo um apelo dramático aos nossos imigrantes: "Voltem, que o País irá se consertar". Alguns voltaram e a decepção foi ainda maior. Então, a onda não se deveu apenas à crise econômica, mas a um sentimento de desesperança no País.

Essa primeira leva vai apenas em direção aos EUA?


Sim. E se espraia nos dois pontos, de origem e de destino. Deixa de ser predominantemente mineira, oriunda da região do Vale do Rio Doce, para afluir de todo o País. E os imigrantes chegam primeiro a Nova York, depois para Massachussetts e Flórida. Hoje, há brasileiros em praticamente todos os Estados americanos.

Como esses primeiros imigrantes eram vistos nos EUA?


Fiz um estudo detalhado sobre isso, comparando a cobertura da imigração brasileira na imprensa dos EUA e do Brasil. Curiosamente, em nosso país, em meados dos anos 80, dois terços das notícias sobre o assunto eram negativas: sobre um brasileiro que era preso, outro que falsificava papéis, o que sofria discriminação, etc. Na imprensa americana, ao contrário, o tom geral era claramente favorável. Havia um estereótipo positivo nos EUA que dizia "brasileiro, povo trabalhador". Hoje, houve alguma mudança nessa imagem, embora as notícias positivas continuem. Já na Europa, embora também haja alguma simpatia, há um claro viés preconceituoso, por exemplo, quando a imprensa se refere às mulheres imigrantes, frequentemente associadas à prostituição.

Mas foi a partir de quando que os brasileiros passaram a escolher também a Europa como destino?


Já nos anos 90, pouco depois da onda americana. Concentraram-se inicialmente em Portugal, depois Espanha e Inglaterra. Alemanha, em menor número. Concomitantemente, vem o Japão, com aquelas características diferenciadas: uma imigração induzida pelo governo para se livrar dos trabalhadores ilegais oriundos da China, da Coreia e outros países asiáticos. O Japão talvez seja o país mais xenófobo de todos.

Como assim, se a senhora acaba de dizer que a política de imigração japonesa é totalmente legalizada?


É legalizada, mas só para os descendentes de sangue, os dekasseguis. É por isso que o Japão busca imigrantes no Peru e no Brasil, entre filhos e netos de japoneses. Em seguida, a campeã da xenofobia é a Europa, com pequenas diferenças de um país para outro. Portugal talvez seja ainda o mais flexível, por conta das relações históricas de amizade conosco e os muitos acordos bilaterais que existem. Já os EUA, vale dizer, estão entre os mais tolerantes, mesmo com todos os problemas que aconteceram recentemente. A literatura sobre imigração aponta três países como mais receptivos aos imigrantes: os EUA, o Canadá e a Austrália.

Momentos de crise, como o atual, acirram a xenofobia.


Os governos, em regra, vivem em uma corda bamba. De um lado, a demanda de mão-de-obra por parte das empresas, que dão preferência à mão-de-obra imigrante por ser mais vulnerável e barata. De outro, a sociedade, que tende a ter uma posição de intolerância com os imigrantes que vêm trazendo costumes, "invadindo" os vagões de metrô com suas cores e etnias diferentes.

A crise financeira já afetou os fluxos migratórios?


Tem havido iniciativas da parte dos países receptores no sentido de desestimular a imigração e a estimular o retorno aos países de origem. Elas, no entanto, só funcionam para os imigrantes que chegaram recentemente, não para os mais antigos - que já se estabeleceram, têm filhos na escola e criaram vínculos duradouros com o país receptor. Aqui na Espanha, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), tem financiado viagens de retorno, supostamente por razões humanitárias. Na verdade, essas políticas advêm da sensibilidade do governo diante da pressão dos trabalhadores espanhóis. Quando a situação está bem, eles não querem ocupar postos de trabalho ruins e os deixam para os imigrantes. Quando piora, querem esses postos de volta.

E o Brasil, é um país que recebe bem os imigrantes estrangeiros?


Não. O Brasil não é muito diferente desses outros, infelizmente. Tem leis restritivas e, em termos de regulamentação do trabalho, mais duras que as dos EUA. Talvez nossa sociedade tenha uma tolerância maior do que a europeia, pois o brasileiro é acostumado a lidar com o estrangeiro de maneira cordial. Mas na hora do vamos ver, do emprego, a legislação brasileira não o acolhe.

O presidente Lula esteve em Genebra e anunciou na Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma anistia a todos os imigrantes ilegais que vivem no Brasil, que deve ser sancionada dia 6 de julho. É uma mudança de direção?É uma iniciativa, mas vamos ver a implementação. Porque essa nova imigração que o Brasil tem recebido é diversa daquela do pós-guerra. É uma imigração de pobres - bolivianos, coreanos e africanos - e, no contexto atual, considerada "difícil de assimilar". Se bem que não se pode dizer que o fluxo de italianos para o Brasil na passagem do século 19 para o 20 fosse de ricos. E a Itália não é menos Itália hoje por ter imigrado em massa para a América. Ao contrário: formou uma população importante fora do país que, em sua segunda geração, se afirma positivamente.

O que o Brasil tem feito de fato por seus cidadãos que vivem no exterior e o que é preciso melhorar?


Apesar das falhas que mencionei, temos de reconhecer que o MRE tem tido uma atuação positiva que vem lá de trás, desde a época em que Fernando Henrique foi ministro das Relações Exteriores até a gestão de Celso Amorim. Antes de FHC e de Lula, o corpo diplomático brasileiro estava voltado quase que exclusivamente às questões comerciais e de relacionamento com outros países. Transformar isso numa estrutura voltada também ao apoio consular ao imigrante foi uma evolução. Apesar desses esforços, ainda existe muito preconceito contra o imigrante brasileiro no próprio Brasil.

Quer dizer que o brasileiro não vê com bons olhos o conterrâneo que opta por viver lá fora?


Nós ainda vemos o imigrante como um perdedor, um covarde que abandonou o País. Essa imagem tem que mudar. O Brasil se afirma lá fora através de seus imigrantes. Por enquanto, eles podem estar se dedicando ao trabalho braçal, mas vem aí uma segunda geração. E a maior parte dos países que admiramos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Itália, teve imigrantes que saíram para fazer a América, trabalhando pesado. Hoje, elogiamos a tradição alemã no sul do Brasil como uma história de sucesso, esquecendo de que no começo foi brabo.


É preciso ter perspectiva histórica para não desprezar os brasileiros que saíram do País. Eles também fizeram uma opção de coragem.


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