quarta-feira, 14 de abril de 2010

Conservadores propõem limitar entrada de imigrantes no Reino Unido


Imigração ilegal faz aumentar número de brasileiros barrados na Europa



Embaixador diz que brasileiros em situação irregular são maioria.
Ele diz que países são soberanos e podem continuar barrando viajantes

Casos de brasileiros barrados nos aeroportos da Espanha e da Inglaterra dominaram parte da atenção diplomática do governo ao longo dos últimos anos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o número de pessoas que foram deportadas ou tiveram negada a entrada em outros países quase dobrou de 2005 a 2006, chegando a 13,5 mil pessoas, e manteve a mesma tendência nos anos seguintes. Por mais que o governo se diga empenhado em proteger os direitos dos brasileiros, o Itamaraty admite que não há nada que possa ser feito para garantir o direito de entrada em outros países, que são soberanos.

“O direito internacional garante que você possa sair do seu país e voltar a ele, mas não garante o direito de entrar em um outro país. Mesmo que a pessoa tenha visto, é a autoridade migratória que decide se ela entra ou não”, explicou ao G1 o embaixador Eduardo Gradilone, diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior. Mesmo os vistos não constituem uma garantia, mas sim uma expectativa de direito, diz o MRE. As autoridades migratórias possuem a prerrogativa, caso julguem pertinente, de impedir o ingresso de terceiros em seu território.



Você sabia que:

Gastos do governo com brasileiros no exterior chegam a R$ 4 milhões ao ano
O governo brasileiro gasta cerca de R$ 4 milhões por ano com ações de apoio a cidadãos no exterior, a chamada assistência consular a casos de emergências, incluindo guerras e catástrofes, apoio a pessoas mais pobres e casos avaliados individualmente - como as buscas pelo brasileiro desaparecido nas montanhas do Maláui.



A Informação foi repassada pelo embaixador Eduardo Gradilone, diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, se referindo ao ano de 2008 e ao orçamento para este ano. Segundo ele, o gasto total ficou abaixo dos R$ 6 milhões que estariam disponíveis para este tipo de despesa.

“Nosso problema é definir como usar este dnheiro”, disse. “Temos os seguintes parâmetros: não usar o dinheiro de forma que não seja justificável do ponto de vista emergencial e para brasileiros desvalidos. Não podemos dar a um brasileiro no exterior um tratamento a que ele não teria direito se estivesse no Brasil, como oferecer auxílio que não é oferecido pelo governo brasileiro aqui.” Segundo ele, o Itamaraty procura verificar quem realmente precisa de apoio e autorizar os postos a dar essas ajudas financeiras em casos muito específicos, evitando que essas pessoas passem a depender do consulado.

Os postos consulares podem, por exemplo, indicar hospitais gratuitos para atendimento em caso de doenças, mas não podem pagar por remédios. Eles ajudam a encontrar um advogado, mas só podem pagar pelo serviço em casos extremos. Segundo Gradilone, o limite para a ajuda é estabelecido pelo bom senso e precisa estar alinhado com o que o governo oferece aos cidadãos dentro do Brasil. “Às vezes ficamos penalizados com situações em que pessoas pobres têm dificuldades, mas não podemos ajudar porque o cidadão não teria o serviço oferecido nem no Brasil. É o caso de traslado de corpos. Não podemos pagar por isso, por mais que quiséssemos ajudar as famílias, mas isso é algo que o governo não oferece dentro do Brasil, nem para brasileiros no exterior.”

Financeiramente, disse, o governo só pode contratar advogados para casos muito específicos, como quando um brasileiro é condenado à morte ou à prisão perpétua, penas inexistentes no sistema jurídico brasileiro. “Oferecemos assessoria, mesmo sem advogado, em casos de aconselhamento apenas. Podemos repatriar e atender, dar apoio financeiro, a pessoas comprovadamente desvalidas. Pessoas pobres, sem recursos e que não tenham nenhum tipo de possibilidade de pagar por algumas coisas de emergência que mereçam nossa atenção e apoio. Temos algum recurso para isso e oferecemos pequenos auxílios.”

Saiba o que consulados podem fazer por brasileiros no exterior


Segundo ele, o MRE está fazendo contato com todos os países para garantir que os brasileiros tenham tratamento digno nos aeroportos. O grande problema, entretanto, é que a maior parte dos mais de 2 milhões de brasileiros que se encontram no exterior realmente está em situação migratória irregular. “Acredito que mais de 70% das pessoas estejam irregulares. Temos quase 100% de regularidade no Japão, mas nos EUA, onde há mais de 1,3 milhão de brasileiros e na Europa, onde são quase um milhão, a maior parte dos brasileiros foi ao país, passou o prazo de permanência admitido, se engajou em atividade de trabalho e não se regularizou”, disse Gradilone.


Como o Brasil tem uma grande população, explicou, o número de viajantes e de imigrantes irregulares é maior de que de outros países, o que faz com que os controles migratórios acabem barrando muitos brasileiros. Segundo ele, entretanto, proporcionalmente, o volume de brasileiros barrados é menor do que o de cidadãos de outros países.


“O Brasil está acostumado a receber os europeus, a ter uma política liberal. Somos acostumados a tratar a imigração como uma coisa positiva e para nos é um choque, um paradoxo, sermos barrados em aeroportos europeus”, disse o embaixador. “A Europa está contaminada com a preocupação com terrorismo, segurança e agora o desemprego”, completou, justificando o maior controle nos países do continente.


O embaixador diz que a crise entre Brasil e Espanha por conta dos brasileiros barrados foi o pior momento da relação bilateral entre os dois países. Dela resultou numa reunião de alto nível que estabeleceu um parâmetro de trabalho. “Criamos uma hotline para exame de casos específicos e emergenciais de pessoas que alegam ter toda a documentação e estão sendo barradas a despeito disso. Criamos um sistema de troca de policiais migratórios entre os dois países, para que eles se conheçam melhor e se crie um ambiente de entendimento. Estamos desenvolvendo um folheto com todos os requisitos de entrada na Europa, procuramos pegar tudo o que os mais exigentes pedem, para que todas as pessoas possam ter idéia do que podem ser cobradas quando estiverem sendo recebidas em outro país.”


Segundo ele, foram assinados acordos com Espanha e Inglaterra e realizadas reuniões com a França, porque começaram a ocorrer alguns problemas com este país também.


Saiba o que os consulados podem fazer por brasileiros no exterior


Veja itens abaixo


  • Emergencias
  • Caso de Policia
  • Prisao
  • Guerras e Catastrofes
  • doencas
  • Perda de documentos
  • Morte
  • Ajuda do brasil
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Gangues de Londres usam estupro como arma, diz relatório

Gangues de Londres usam estupro como arma, diz relatório
Segundo o documento, violência sexual é usada em represálias nas disputas dos grupos.


Um relatório divulgado por um centro de estudos britânico indica que garotas vêm se tornando vítimas de violência sexual como resultado das disputas entre gangues em Londres.
Depois de entrevistar mais de 350 mulheres e meninas, a organização Race On The Agenda revelou que o estupro é usado para punir garotas integrantes de gangues e parentes de membros de gangues rivais.
Todas as mulheres e meninas entrevistadas estão associadas a alguma gangue na capital britânica.
A autora do relatório, Carlene Firmin, disse que o estupro está sendo usado como "a arma favorita" e que poucas organizações e serviços estão equipados para ajudar as vítimas.

    * Poucos dados

Firmin descreveu a entrevista com uma jovem que foi presa por vender drogas para uma das gangues.

"Quando foi solta sob fiança, ela foi sequestrada e estuprada por vários membros da gangue, como punição e para silenciá-la", disse a autora do estudo.

Segundo o relatório, há poucas informações sobre o número de mulheres afetadas pela violência das gangues. O documento ainda destaca que os poucos serviços existentes para atender as vítimas sofrem da falta de recursos crônica e estão sobrecarregados.

Peaches Cadogan, ex-integrante de uma gangue que agora trabalha com a organização Reality Bites, que tenta ajudar membros de gangues, confirmou o que diz o relatório.

Segundo ela, as meninas envolvidas com gangues não sabem como sair da situação abusiva e temem as consequências se disserem "não".

"Esses membros de gangue não têm qualquer problema em colocar uma arma na boca de sua mãe - essas coisas acontecem diariamente", diz Cadogan.
   * Vida de violência

A reportagem da BBC falou com jovens meninas integrantes de gangues em Londres e Glasgow, na Escócia. Seus nomes foram trocados, mas suas histórias revelam o nível de envolvimento das jovens nos grupos criminosos.
"Já bati em gente. Já tive dez pessoas me atacando de uma vez. Minha cabeça foi ferida com uma garrafa. Quando uso a violência é porque a violência é usada contra mim, então, é o troco", disse Rebecca, integrante de uma gangue em Londres.


Ela fuma e vende maconha desde os 13 anos de idade e começou a vender drogas mais pesadas desde que deixou a escola.

"Quando você está envolvida com drogas pesadas e vende essas drogas, vem os crimes com armas de fogo, facas, tudo isso."

O leste de Glasgow tem uma das taxas mais altas de crimes com facas da Europa ocidental. A predominância dos crimes é entre jovens homens brancos, mas nos últimos anos, houve uma mudança nesta tendência.

Segundo assistentes sociais de um projeto para jovens na cidade escocesa, crianças de sete anos de idade já estão sendo arrastadas para a violência e cada vez mais meninas se envolvem com as gangues.

"Hoje em dia, as meninas se juntam às gangues para tentar fazer amigos. Acredito que elas sintam que precisam ser parte de alguma coisa - elas não têm autoconfiança ou autoestima", disse uma das assistentes, Stephanie Brady.
Há uma diferença aparente entre a violência entre gangues de Glasgow e Londres, no entanto: as disputas na cidade escocesa não estão ligadas a drogas - são apenas brigas alimentadas pelo álcool.

* Família como alvo

"Está piorando cada vez mais", disse Louise, de 16 anos, que entrou para uma gangue aos 13 anos.


"As meninas são tão ruins quanto os garotos. Elas vão e começam, algumas delas se vestem como rapazes, agem como rapazes e saem por aí esfaqueando outras meninas, batendo nelas e rindo, só escolhendo as vítimas."

Uma vez dentro de uma gangue, a integrante não ousa sair de seus domínios. Louise cometeu um erro e começou a namorar um menino que morava em outra área. A gangue foi atrás da família dela.

"Minha mãe foi atacada quando eu não estava em casa. Bateram nela", disse a jovem.

"Ela tinha ferimentos por todo o rosto, seu olho estava inchado... ela ficou apavorada, com medo de ficar em nossa casa."

Em Glasgow, pelo menos, as jovens escapam da violência sexual, apesar de a prática de sexo entre menores, alimentada pelo consumo de álcool e drogas, ser cada vez mais comum.

Em Londres e Glasgow, essas meninas são a segunda ou terceira geração de famílias associadas com gangues - elas não conhecem outra vida, tendo nascido e crescido em meio ao crime.

Este é um mundo praticamente desconhecido da sociedade britânica, e só agora a questão das gangues começa a chamar a atenção dos políticos do país.

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